10 de outubro de 2012

Resenha: Ensina-me a Viver


Os anos 70 foram turbulantes para a indústria do cinema hollywodiano, estavam todos cansados das mega produções, milionárias, com atores consagrados, roteiros engessados e produtores dominando o mercado. Algo novo precisava acontecer, o público sentia isso na pele, a efervescência de jovens candidatos a roteiristas e diretores estava apenas começando. Neste meio surgiram grandes pequenas produtoras independentes, que decidiram fazer filmes com as suas próprias mãos, sem ter que responder a financiadores, investidores ou presos ao senso comum.

Um destes caras foi Hal Ashby, um jovem desacreditado em seu meio, com alguns fracassos no curriculum, mas com um espírito extremamente forte, muito criticado por sua arrogância e desprezo pelos “vendidos” da indústria cinematográfica. Toda esta ousadia culminou num dos mais bonitos e sinceros filmes da época, Harold and Maude (Ensina-me a viver, 1971).


Desde sua concepção inúmeros problemas já surgiam, como poderia have um filme sobre o romance entre um jovem de 18 anos e uma mulher de 80? A ideia era inconcebível, ninguém queria comprar o filme. Seria um grande prejuízo e um fracasso na crítica, o sepultamento de todos os envolvidos. Mas Colin Higgins, escritor e roteirista, queria fazer o filme a todo custo e somente uma pessoa poderia abraçar a história e dirigir Ensina-me a viver, do jeito que ela foi escrita, forte e transgressora, então ele chamou Ashby.

O sucesso foi imediato. Sutil e verdadeiro, a historia de amor vivida entre Harold e Maude conquistou o coração por todas as salas de cinema onde passava. Um jovem rico desacreditado da vida, vivido por Bud Cort, conhece uma senhora cuja vida aflora em cada fala e movimento, numa interpretação inspirada de Ruth Gordon (vencedora do Oscar por “O Bebê de Rosemary”, 1968). Após se conhecerem em um funeral, passam a se ver todos os dias, sempre em inusitados encontros, num ferro velho, fugindo da polícia, ateliê de artes e por aí vai. É incrível a forma como Higgins e Ashby levemente vão conquistando o espectador através das paisagens e da trilha sonora de Cat Stevens, como numa linda cena onde Maude canta e toca a música tema do filme, If you want do sing out, uma canção muito gostosa de se ouvir.


Harold e Maude provam que não há fronteiras para o amor, que o sentimento reside na vontade de viver e de compartilhar experiências além desta sociedade quadrada e destas barreiras que nos são impostas. Como diz a música, se você quiser cantar, cante! Se você quiser ser livre, seja!

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