10 de fevereiro de 2011

Resenha: O Vencedor


De tempos em tempos o cinema hollywoodiano precisa voltar às suas origens e fazer o que sempre fez de melhor: enlatados americanos. Deve ser algo obrigatório para os produtores, talvez para juntar uma boa grana e ganhar uma porção de prêmios. Geralmente estas produções envolvem um diretor razoável, algum ator famoso para chamar a atenção do público e, o mais importante, uma história real de um algum ícone americano, um “self-made man”, alguem que tinha tudo para perder mas decidiu lutar e vencer, com o próprio suor, o próprio sangue. Por algum motivo os americanos adoram isso, vanglorizam pessoas que se criaram a partir do nada. A cartada da vez foi The Fighter.

O Vencedor, como foi lançado aqui no Brasil, conta a história de Micky Ward, um boxeador de Lowell, Massachusetts, cuja carreira teve uma rápida ascenção, um período de derrotas e finalmente uma explosão, com conquistas de título e tudo o mais. A trama gira em torno de Micky, estrelado por Mark Wahlberg, seu irmão e treinador Dicky Eklund, vivido por Christian Bale, o resto de sua família neurótica e controladora e um romance que guia a vida de Micky. Não me atentarei aos detalhes do roteiro aqui pois é baseado em fatos reais. Portanto, vamos à parte que interessa.

Primeiro, nunca vi filme algum do diretor David O. Russell, uma pesquisa rápida na internet revela que ele já trabalhou com grandes atores, porém, seus filmes nunca receberam grande destaque. Talvez por isso ele tenha decidido dirigir O Vencedor para tocar o coração de seu povo e mostrar que é um americano de verdade, ou whatever. Sem destaques para a direção.

Segundo, Micky Ward caiu como uma luva para Mark Wahlberg, ambos são extremamente sem graça e não conseguem demonstrar uma emoção sequer. A total inexpressividade de Mark combinada com a fraca personalidade de Micky criam um personagem que não cativa o público de maneira alguma, muito pelo contrário, faltam elementos para nos identificarmos com ele. Eles não existem, na verdade.


O  único ponto positivo fica a cargo de Christian Bale e sua incrível atuação na pele de Dicky, irmão e treinador de Micky. As cenas em que participa sempre reservam alguma surpresa, uma reviravolta, é ele quem guia toda a história, cria um fluxo de acontecimentos que não nos deixa desistir do filme, sendo mais importante que o personagem principal. Dicky inclusive rendendo-lhe uma indicação ao oscar. Bale nos mostra que pode atuar de diversas maneiras diferentes, provando ser um dos melhores atores de sua geração.

As 7 indicações ao oscar são justificadas somente por este amor dos americanos em ver uma “importante” história suas contada ao mundo. Nem de longe O Vencedor merece os prêmios pelos quais está concorrendo, salvo a atuação de Bale. Quer ver um filme de superação? O belo e simples “De Porta em Porta” o cativará muito mais. Quer um filme de boxe? “Touro Indomável” ainda é o melhor do gênero. Mas evite O Vencedor a qualquer custo.

2 comentários:

  1. Não sei se é um filme para ser evitado a qualquer custo... não é o melhor filme já produzido, mas rende duas horas de divertimento despretencioso, vale como sessão da tarde sem problemas e conta com excelente atuação de Christian Bale, que ficou muito marcado como Batman e prova com esse filme sua eficiência e versatilidade.

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  2. Considero o filme muito bom, principalmente pelo desempenho do ator Christian Bale. Achei sua crítica muito radical, ao falar que é um filme que deveria ser evitado. Este filme, O Vencedor, é muito melhor que o Discurso do Rei e a Rede Social. Dois filmes com temas fracos, apenas perda de tempo. A temática da redenção humana aliada ao esporte, continua redendo bons filmes. Pessoal, assistam ao filme. Desconsidere o último parágrafo do autor da resenha.

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