26 de fevereiro de 2011

Resenha: O Caçador de Trolls

 

É raro encontrarmos filmes brasileiros que exploram o nosso folclore, a nossa mitologia indígena e os seres que a habitam. Embora não sejam feitas em seus países de origens, muitas produções tomam como cenário a mitologia grega ou a egípcia, como em Fúria dos Titãs e O Escorpião Rei, para citar exemplos mais comuns. Mesmo que possuam toda uma equipe por trás, conhecedora dos deuses e monstros, sempre haverá algum erro, algo que somente o povo que deu origem aquele mito pode nos mostrar de uma forma fiel e convincente. Acredito que não tardará para que o cinema nacional faça uma produção com este foco. A Noruega, que não possui tradição alguma na sétima arte, fez a sua. E começou com o pé direito.

Em Trolljegeren, ou O Caçador de Trolls, o ator Otto Jespersen interpreta um personagem cuja profissão possivelmente seja a mais ingrata de toda a Escandinávia, ele caça trolls em florestas e montanhas durante a madrugada. Não aqueles trolls fofinhos e coloridos dos desenhos animados, mas trolls mitológicos, grandes e fortes, de várias cabeças, que matariam um ser humano com um tapa.

A história começa quando estudantes da universidade de Volda desejam fazer um documentário sobre um caçador de ursos não registrado, o que é crime na Noruega. Ao encontrar o caçador eles não conseguem estrevista alguma, nenhuma informação que lhes poderia ser útil e interessante, então decidem seguir o tal caçador em uma de suas aventuras noturnas. E é aí que a verdade começa a ser desvendada e os mitos, outrora esquecidos e tomados apenas como lendas, tomam as rédeas e guiam os personagens para um mundo cada vez mais bizarro e oculto.


O que torna Trolljegeren tão interessante é o modo como ele é filmado e nos são apresentados todos os fatos. O diretor André Øvredal optou pelo uso da câmera subjetiva, ou seja, tudo o que nós vemos do filme é o que a imagem da câmera dos estudantes mostra, sem cortes, sem efeitos especiais, a Fantasia vestida de Verdade. Este recurso tem a característica de aproximar o espectador da história e dos personagens, tornando-o cúmplice dos acontecimentos. Embora esta técnica já tenha sido muito bem explorada em outros filmes, como os excelentes Rec e Cloverfield, aqui ainda podemos ver inovações no estilo, como a queda da câmera, o seu esquecimento, lentes quebradas e principalmente o fato de estarem produzindo um documentário, que obriga-os a fazerem uns takes diferentes, narrando partes da história, entrevistando personagens e registrando depoimentos. A narrativa conduz o espectador cada vez mais fundo em uma conspiração governamental, que a todo custo esconde a verdade da população, seja plantando provas em locais que os trolls atacaram ou culpando a natureza pela queda de árvores, por exemplo.

O destaque do filme não fica por conta das atuações nem dos efeitos especiais, mas pela verossimilhança criada por Øvredal. O mito do troll somado com a exuberante paisagem norueguesa (maravilhosamente explorada, diga-se de passagem) envolvem o espectador de tal maneira que não dá para piscar os olhos até a última cena, uma das mais belas e tensas do filme todo.

Definitivamente uma peça fundamental na coleção (física ou virtual) de qualquer amante do cinema.

3 comentários:

  1. Gostei da resenha, mto bem escrita e me deixou curiosa. E a história é bem D&D, ein?!

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  2. Na verdade não Elínis, estes trolls em nada se assemelham aos do D&D, suas características são trazidas diretamente da mitologia nórdica, na forma de gigantes, e da evolução folclórica do mito naquela região, como o fato de se transformarem em pedra ao contato da luz do sol.
    Fora isso o filme não é tão aventura não, mais voltado para um suspense.

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  3. Eu assistir o filme a alguns dias e é muito bomm!!!
    RECOMENDO

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